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A família Roschel - Capitulo 3 do livro "Do outro lado do oceano"
De D. Esther Boemer Roschel Nunes e terminado por sua filha Elaine Roschel

Friedrich Sommer (1945, p. 314) escreve em seu manuscrito “Die Deutschen in São Paulo” (Os alemães em São Paulo) sobre os Roschel que saíram da cidade de Niederkostenz junto a Kirchberg (Região do Reno):

“De lá vieram duas famílias para Santo Amaro. Eles pertencem hoje aos mais ilustres de boa reputação da linha dos antigos alemães. O primeiro que chegou ao Brasil foi Johann Roschel, seguido pelo seu sobrinho Johann Peter Roschel (1835-1906). Este último teve um papel importante nos acontecimentos históricos da época.”

Conta Sommer que

“ele, como oficial da artilharia, auxiliou o Princípe Wilhelm von Preussen durante a sua fuga do castelo de Berlim para Inglaterra [...]. Em São Paulo e em toda a região era conhecido como um excelente construtor de moinhos.” (trad.minha)

Nas anotações de minha mãe consta que

“João Roschel e Margarida Hillen chegaram ao Brasil no início de julho de 1856, sendo que alguns locais marcam 1857. Eles se instalaram no Bairro Santa Cruz, atual Parelheiros, e adquiriram terras pertencentes a Henrique Schunck, do qual tiveram ajuda para começar. Nos primeiros tempos, foi tudo muito difícil, porque não falavam a mesma língua da população local. Provavelmente, Henrique Schunck falava alemão, porque ele veio com 18 anos . João Roschel fez muito esforço para levantar a casa onde iria morar, carregando madeira pesada, tudo quase que sozinho, também por falta de comunicação. Montou o engenho para fazer farinha e aqui tiveram mais filhos.”

Otto Adolf Nohel (1928) , diretor da “Deutsche Schule” (Escola Alemã) na época, escreve em seu artigo ao Jornal Alemão (Deutsche Zeitung) sobre a festa do centenário da Colônia em Santo Amaro. Neste artigo, Nohel cita José Roschel Klein, que já descreve a chegada dos Roschel em São Paulo:

“Uma família sem pão e sem fogão” “Entre as famílias que deixaram sua pátria, está um pobre carpinteiro chamado Johann Roschel, com sua esposa Margarida Hillen [Ileg para Roschel Klein], com seus dois filhos Isabella e Josef, dos quais a primeira tinha apenas três anos e o segundo apenas um ano e meio. Além desses, vieram com ele, dois órfãos que já viviam com o tio na Alemanha. [...] Sem ter para onde ir, a família de seis pessoas ficou perambulando em Santos.” (Trad. minha)

Assim conta Roschel-Klein (Apud Nohel, 1928): Jakob Schunck, que já possuía sítio e seu próprio carro de boi, compadeceu-se com a situação deles e trouxe a família Roschel até seu sítio, onde ficaram instalados até conseguirem construir seu próprio sítio. Esse senhor que acompanhou a visita de NOHEL(1928) e mais tarde de KELLER (1933), era filho de Henrique Roschel (*), que por sua vez era filho de Johann Roschel e Margarida Hillen.

A família Roschel mereceu destaque no trabalho de Nohel e de outros autores devido ao seu número de descendentes e também pela sua importância econômica na região. Segundo NOHEL(1928), do casamento de João Roschel e Margarida Hillen, nasceram 8 filhos, 71 netos, 140 bisnetos e 4 tataranetos.(ano 1933).

NOHEL (1928) informa que “uma segunda linhagem da família Roschel é representada por Johann Peter Roschel, sobrinho de Johann Roschel e irmão de Isabella Schmidt-Zelltner (**), casado com Felipine [para o autor, Felisbine] Reimberg. Ele chegou no ano de 1864, oito anos depois de João Roschel. Do seu casamento com Felisbine Reinberg, nasceram três filhos, 19 netos e 12 bisnetos, que ainda hoje [1928] encontram-se em vida.”

O autor Otto Adolf Nohel (1928) escreve por ocasião do centenário, com base nos depoimentos de Isabella Schmidt-Zeltner, que apesar de cega e com idade avançada, ainda possuía uma memória invejável (***). Através dos relatos de Isabella Schmidt-Zeltner e de Henrique Grassmann, NOHEL (1928) narra a trajetória de Johann Peter Roschel e confirma mais uma vez as informações das demais fontes pesquisadas.

O problema é a data de entrada de Johann Peter Roschel no Brasil. Ora, se compararmos com a narração de José Roschel Klein, ele cita a presença de dois sobrinhos, que poderiam ser Johann Peter Roschel e Isabella Schmidt-Zelltner (nome de solteira: Roschel). Nos arquivos da Alemanha, Isabel não é citada. Já em seu óbito, consta que era filha de Maria Eva Kopp e Johann Roschel, os mesmos pais de Johann Peter Roschel. Isso pode ser possível, já que havia erros nas listas e nem sempre os passageiros eram oficializados. Para solucionar esta questão, entramos em contato com o memorial, que no momento realiza a pesquisa com base em seus arquivos. (****)

Também em sua crônica, KÖTZ (1985, p. 87) escreve sobre a imigração conjunta de “Johannes Roschel, Margarida (Margaretha para o autor) Hillen e as crianças M. Elisabetha (Isabel no Brasil), Josef Roschel (filho) e Johann Peter Roschel (sobrinho, aos 12 anos), filho de Johann Peter Roschel e Maria Eva Kopp.”

Segundo NOHEL (1928), J. P. Roschel era construtor de moinhos. Ele construiu, logo após sua chegada, um moinho em Penha, onde os Boemer também já possuíam um sítio. Nesse moinho, ele trabalhava com grãos que os Boemer plantavam em seu sítio. J.P. Roschel ficou conhecido pelo seu trabalho e realizou outras obras, no Morumbi, Juqueri, e outros. Este pioneiro dos Roschel no Brasil está enterrado no cemitério da Colônia. João Pedro Roschel faleceu no dia 5 de julho de 1906.

Retornemos para o primeiro Roschel, Johann Roschel. Ele se casou com Margarida Hillen em 1853, e tiveram 8 filhos. Entre eles, Henrique Roschel, pai de João Roschel Klein, e José Roschel são citados no trabalho do autor João Keller (1933).

Os filhos nascidos em Niederkostenz, no distrito de Kirchberg, são:

M. Elisabetha (arquivos alemães) ou Isabel (arquivos brasileiros)
Joseph Roschel
No Brasil, eles tiveram ainda os seguintes filhos:
Catarina, Henrique, Margarida, Maria, Pedro e Carolina.


Segundo os dados dos arquivos já citados e colhidos pela minha mãe, D. Esther:

Isabel casou-se com João Glasser (08.05.1871)
José Roschel casou-se com Anna Schunck (4.12.1877) – pais de Augusto Schunck Roschel
Catarina com Jacob Reimberg (14.08.1877)
Pedro Roschel com Maria Christ ( 14.02.1888)
Henrique Roschel com Catarina Klein (28.05.1891), filha de João Klein e Carolina Klein
Carolina com Amaro Antônio Rodrigues (14.06.1892)
Maria Roschel e João Gotzfritz Filho (04.07.1893)
Margarida com Carlos José Rasquinho (20.06.1895)


De acordo com as anotações de D. Esther,

“os Roschel trabalhavam com madeira em lavouras de milho, mandioca, cará, batata-doce, etc. Faziam farinha de milho, de mandioca, polvilho, do qual faziam pães e biscoitos. Faziam doces para o ano todo, que eram guardados em potes de barros. Doce de marmelo, goiaba e pêra, etc. Eles tinham criação de gado. Trabalhavam com carro de boi, que puxava as toras de madeira, mantimentos e tudo que era necessário. Também usavam uma espécie de madeira larga, arrastando na terra, puxada por dois burros. E uma espécie de cestos usados um de cada lado dos animais no lombo do burro. Tinham criação de vaca, da qual tiravam o leite, faziam queijo, manteiga, Käseschmier (cachimira), criação de porcos, galinhas. Eles trabalhavam muito neste lugar distante da vila de Santo Amaro. Longe do comércio, usavam como remédios chás caseiros.

Para chegar em São Paulo demorava quase o dia todo. O meio de transporte era o cavalo com charrete, carroções puxados por burros e cavalos, carro de boi ou a pé. As paradas eram feitas na casa do Henrique Schunck no atual bairro São José. Ali eles descansavam e faziam pousada para no outro dia voltar a caminhar na longa distância.”

Conforme já citado, D. Esther acrescenta:

“a segunda linhagem dos Roschel surge do casamento de Johann Peter Roschel e Filipina Reimberg. João Pedro Roschel se instalou no Bairro de Casa Grande, onde tinha venda de mercadorias da época, trabalhava com madeira, fazendo moinho. Do casamento com Filipina Reimberg em 25.02.1867, nasceram os filhos:

José Pedro Roschel, casado com Christina Boemer (13.09.1892)
Isabel Roschel, casada com João Christ (mãe do conhecido Nato Christ)
Pedro Roschel, casado com Maria Catharina Zillig (23.07.1895)
Adão Pedro, que morreu solteiro aos 37 anos.


João Pedro participava junto com José Schunck dos assuntos da prefeitura, na época em que Santo Amaro era município.”

(*) Segundo informações de Nohel (1928)
(**) Isabella Schmidt Zeltner concedeu em entrevista informações importantes sobre a época para o autor.
(***) Segundo anotações de minha mãe: Isabel Schmidt Zeltner, (falecida aos 12.12.1939, aos 95 anos, natural da Alemanha), Filha de Maria Eva Kopp Roschel e João Roschel. Casou-se com Luiz Schmidt, na Alemanha e depois com Joao Zeltner, no Brasil.
(****) A previsão de entrega deste dado é ainda de 30 dias. Informações no site: http://www.memorialdoimigrante.sp.gov.br/servicos/certdesemb/index.asp

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