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A família Schunck - Capitulo 2 do livro "Do outro lado do oceano"
De D. Esther Boemer Roschel Nunes e terminado por sua filha Elaine Roschel

Entre os primeiros imigrantes de 1928, encontravam-se os primeiros povoadores da Zona Sul da Grande São Paulo, inclusive Henrique Schunck, e sua esposa Catarina Klein e seus filhos mais velhos. (*)

A princípio, os colonos deveriam seguir para o bairro do Rio Bonito, onde um rancho deveria ser construído (ZENHA, 1950, p. 31). Com a ocorrência de conflitos pela posse de terras, D. Pedro II, imperador na época, efetuou a divisão de terras da região, distribuindo-as entre as famílias de imigrantes, cabendo a família Schunck a região entre os rios Guarapiranga e Grande, de Interlagos até as matas de Embu-Guaçu, de acordo com as pesquisas realizadas por D. Esther.

Assim narra NOHEL (1928), “os Schunck não foram para a Colônia de Itapecerica, mas sim iniciaram o trabalho na lavoura do Sítio em Rio Bonito. Henrique Schunck que chegou com a idade de 18 anos (**) juntamente com seus pais, tornou-se tropeiro. Transportando café de Campinas para Santos, com isso adquiriu um sítio próprio e uma boa situação financeira.

Com base nas pesquisas realizadas na Cúria, nos cartórios e no Arquivo do Estado de São Paulo, D. Esther colecionou certidões de casamento, óbito e nascimento das pessoas de sua árvore genealógica.(***) Segundo suas pesquisas, D. Esther listou os filhos de Henrique Schunck e Katharina Klein (1836):

Jakob Schunck, casado com Margarida Roschel (1869)
Catharina Schunck Boemer, casada com Carlos Boemer (1871)
Isabel Schunck Klein, casada com Carlos Klein (1866)
Pedro Schunck, casado com Maria Schmidt (1893)
Maria Schunck Boemer, casada com Pedro Boemer (1871 - pais de Christina Boemer Roschel, vó de Esther Boemer Roschel)
Henrique Schunck Filho,
Ana Schunck Roschel, casada com Jose Roschel (1877 - pais do Augusto Schunck Roschel, pai de Esther Boemer Roschel)
José Schunck , solteiro
Cristina Verônica Schunck Zenha, casada com João Francisco Zenha (1891)

Segundo anotações de D. Esther, a família Poletti surge do casamento com Venâncio Poletti e Rosalina, neta de Henrique Schunck e de Catarina Klein, filha de Ana Schunck e José Roschel. A família Gottsfritz (deveria ser: Gottfried) foi formada por Henrique Gottsfrittz e Giselda Poletti Gotsfrittz, filha de Rosalina, bisneta de Henrique Schunck e Catarina Klein.

Desta forma, notamos que a família Schunck está presente na base de muitas famílias em nosso bairro. Alguns nomes sofreram alterações como Gotsfrittz, devia ser Gottfried, Klein era escrito muitas vezes como Clem, os Schunck têm as mais variadas grafias nos registros em cartórios, de Xinch, a Chun ou Scim. A dificuldade em pronunciar alguns nomes também levou à sua redução.

Segundo D. Esther, em suas anotações, “a primeira escola do bairro era na casa de José Schunck (demolida pela imobiliária Bochiglierie), situada na praça da vila. Mais tarde foi construída a escola pública Alberto Salotti, instalada em barracões de madeira, onde hoje se encontra a escola Olegário Mariano. O prédio atual da escola Alberto Salotti foi construído no início dos anos 70”.

ZENHA (1950, P.54) escreve que “as famílias mais cuidadosas procuravam contratar professores. Catharina Klein Schunck [...] manteve um curso de primeiras letras a cargo do venerando mestre Madruga (João Pereira Gomes Madruga).” Isso porque somente:

“aqueles colonos que permaneceram nos centros mais povoados conseguiram educar seus filhos, fazendo-os aprender a ler e escrever a língua do país. Os da colônia, entretanto, se viram completamente desprovidos de qualquer auxílio para educação das crianças.”(ZENHA, 1977, p.108)

Segundo NOHEL (1928), o velho Henrique Schunck faleceu no ano de 1861. Ele trabalhou durante 32 anos no Brasil e chegou até os 61 anos.

Um dos filhos de Henrique Schunck e Catharina Klein Schunck, o nosso José Schunck, é citado por todos os autores pesquisados e também no Álbum de Santo Amaro, como um especialista na lavoura e atuante na política local, ocupando cargos públicos, como vereador e vice-prefeito. Este possuía uma propriedade de 45 alqueires “com majestosos capoeirões, viçosas e abundantes pastarias”. (CALDEIRA, P. 219)


Foto 5: Casa de José Schunck, largo São José

Sobre o filho de Henrique Schunck, José Schunck, assim descreve o autor Caldeira (1935):
José Schunck era bem quisto e bastante habilidoso. [...] Seus pais, Sr. Henrique Schunck e Catarina Klein eram estimadíssimos por quantos os conheciam, graças aos seus excelentes méritos morais de espírito. Crescendo na lavoura, o Sr. José especializou-se em todos os misteres da agricultura. [...]. Nas roças são realizadas plantações de cereais de uso corrente para o gasto. Um pomar bem tratado, destinado exclusivamente ao consumo, dispõe de muitas árvores frutíferas das principais variedades. A casa de residência é das melhores que temos visto na zona rural: grande, sólida, forrada e assoalhada, servida de vidraças e com luz elétrica magnífica, produzida no próprio sítio.
Em resumo, podemos asseverar que esta propriedade, embora não seja demasiado grande, é das mais completas e bem montadas que encontramos em Santo Amaro. O Sr José tem ocupado vários cargos públicos, dando sempre o melhor desempenho a tais incumbências. Entre eles citamos o de vereador municipal, e de vice-prefeito e de juiz de paz. Além do sítio São José, possui o distinto cavalheiro bela residência para aluguel na cidade de Santo Amaro.(Álbum de Santo Amaro, 1935, p. 219)


Foto 6: Sr. José Schunck e sua sobrinha Rosalina

Segundo as anotações de D. Esther, com base nas obras de ZENHA (1950) e CALDEIRA (1935), ela assim o descreve:

“O filho de Henrique Schunck e Catarina Klein, José Schunck, transformou-se no líder da família, tendo se instalado na região de São José, promoveu o progresso da região. Ele chegou a importar da Alemanha um gerador com bomba d` água, o qual mandou instalar em uma mina existente, onde hoje encontra-se o conjunto Icaraí. Sua residência foi a primeira do município de Santo Amaro a possuir luz elétrica e água encanada, benfeitorias que não existiam nem no prédio da prefeitura, da qual foi titular na época.
José Schunck fundou a capela de São José e trabalhou ativamente na política da região. Foi vice-presidente da câmera de vereadores e juiz de paz. Sua moradia era concedida para reuniões políticas, para missões católicas, escola e ainda era ocupada como “venda”. José vivia em companhia de sua mãe e, devido à venda, era conhecido como o Zé da venda. Com a morte de seu cunhado, vieram morar em sua companhia sua irmã Maria e sua sobrinha Christina Schunck Boemer, que mais tarde casou-se com José Pedro Roschel. Também morava com ele outra sobrinha Rosalina Schunck Roschel, que se casou com Venâncio Poletti.


Foto 7: Paróquia de São José hoje

Com o passar dos anos, a família Schunck foi abrindo mão de parte de suas terras para novas famílias, filhos e filhas, genros, netos. Entre essas famílias citamos Poletti, Boemer, Roschel e Gottsfritz (Gottfried) .” (segundo anotações de D. ESTHER)

KELLER (1933) entrevista uma antiga Schunck, Dona Isabella (Isabel) Schunck, filha de Henrique Schunck, que no ano de 1933 deveria estar com 88 anos de idade. Ao ser questionada se ainda falava alemão, Isabel Schunck afirmou nunca ter “aprendido direito”. Como KELLER (1933) observa, muitos tinham vergonha de falar, porque falavam um dialeto próprio e não se atreviam a falar o Hochdeutsch (alemão oficial). Isabel Schunck fora casada com Carlos Klein e teve nove filhos. Na época, apenas quatro ainda estavam vivos (Peter, Jakob, Christine e Joaquim). Os três primeiros moravam em Santo Amaro e a Sra. Isabel Schunck morava com o filho Joaquim no chamado “Sítio das Pedras”.

Na obra de Friedrich Sommer (1945, p. 308), onde encontramos também valiosos relatos sobre os primeiros habitantes de Santo Amaro, o autor escreve sobre os Schunck:

“Os Schunck, família grande e importante, possuem uma enorme propriedade. No bairro Cipó ou São João da Boa Vista em Santo Amaro encontra-se a fazenda de Henrique Schunck, com uma moderna Serralheria e iluminação elétrica.” (Trad. minha)

Quanto à junção das famílias Schunck e Roschel, o autor KELLER (1933) faz menção ao relacionamento entre as duas famílias:

“Im Jahre 1857 wanderte Roschel nach Brasilien aus und fand in der ersten Zeit an dem früher ausgewanderten Herrn Schunck einen treuen Freund und Beschützer”. (****) 

(*) Logradouros do bairro levam os nomes de alguns descendentes de Henrique Schunck: Jardim Rosalina, (neta), Vila Angelina (bisneta).
(**) Veja: Lista de Imigrantes, ZENHA, 1950, p.77
(***) Toda esta documentação encontra-se em meu poder para consulta.
(****) No ano de 1857, o Roschel imigra para o Brasil e encontra nos primeiros tempos um amigo fiel e protetor que já havia imigrado mais cedo, o Sr. Schunck. (Keller, 1933)

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